segunda-feira, 16 de maio de 2022

O teu riso

tira - me o pão se quiseres tira - me o ar

mas não me tires o teu sorriso

não me tires a rosa a flor de espiga que

desfia a água que de sùbito jorra na tua

alegria a repentina onda de prata que em 


ti nasce e regresso por vezes de olhos cansados

de terem visto a terra que nunca muda mas quando

o teu sorriso entra sobe o céu a minha procura e


 abre - se todas as portas da vida


meu amor na hora mais obscura desfia o teu riso

e se de sùbito vires o meu sangue manchar as pedras

da rua ri porque o teu riso será as minhas mãos como


uma espada fresca perto o mar no Outono  o teu riso

deve erguer a sua cascata de espuma e na primavera

amor quero o teu riso como a flor azul a rosa da minha


pátria sonora


ri - te da noite do dia da lua


ri - te das ruas curvas da ilha


ri - te deste rapaz desajeitado que te ama

mas quando abro os olhos e os fecho


quando os meus passos  se forem quando

os meus passos voltarem nega -me o pão

o ar a luz a primavera mas o teu riso nunca


porque sem ele morreria
 

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