o
corpo adormecido
põe - lhe
silêncio sê leve para
quem
o foi contigo dà - lhe
o
meu cabelo para o
sonho
e deixa tecer a magia
infinita das raìzes
o
corpo adormecido
põe - lhe
silêncio sê leve para
quem
o foi contigo dà - lhe
o
meu cabelo para o
sonho
e deixa tecer a magia
infinita das raìzes
quem
muda de camisa o
meu
pais è onde a pedra
acesa
do mar ilumina as veredas
do coração e a cal escorre dos
muros
e dos troncos das oliveiras atè ao
chão
me habita
uma casa que fosse o areal
deserto
que nem casa fosse sò um
lugar
onde o lume foi acesso e a
sua
volta sentou - se a alegria
e
aqueceu as mãos e partiu
porque
tinha um destino coisa simples
e pouca mas destino crescer como
árvore resistir a invernia ao rigor
da invernia e certa manhã sentir
os passos de Abril
mais
do que lágrimas coisas
frias
sobre as suas mãos
abandonadas a janela dos
dias
alta tristeza de cabelos de
água
è o meu rosto que se demora
o
meu coração escreve na noite
como
quem chora
talvez
talvez seja à tarde
a
querer voar a levantar
do
chão qualquer coisa que
vive
e è como um perdão que
eu
nunca tive talvez o nada
ou
sò um olhar que na tarde
fechada
è ave mas não pode voar
o
pão na mesa o gesto sempre
igual
da luz o mesmo olhar da ave
existe
uma certa harmonia entre a luz
a luz e o mar
a mesa provavelmente entre a
palmeira
e o mar o leite e o pão e com
a palavra
o seu voo em prumo e com
a palavra
qual è a relação ?
secretos
se cruzam no silêncio
distante
entre o Ocidente e o
Oriente
mulher exótica oriental
sensual
em pleno Ocidente o
calor que une os
Oceanos unindo a Humanidade
no amor
meu amor
no
seu ego fechados nos seus
fantasmas
que a si próprios os assusta
e
a temer sem tremar de de amor
na
frieza do ser uno universal
paz
onde morava a solidão
e
a certeza de que a sepultura
uma cova onde não cabe o
coração
seiva
e de calor alargo - te o corpo
pelas
areias onde o mar se espaira
sem
contornos sem cor põe - te
sonho
onde havia apenas silêncios
de novas rosas por abrir e
um jeito de quem sabe que
o futuro há - de surgir
estou
aqui toma - me
noite
sem sombra de
amargura
consciente do que
dou
nimbar - te de mim
e
do luar disperso de
ti
serei mais teu deixa - me
derramado no olhar de quem
já me esqueceu
improviso
na madrugada húmidos
beijos
e de lágrimas ardor da terra
com
sabor a mar o teu corpo
perdia - se no meu
vontade de ser barco
ou
de cantar
a
luz de rosa em rosa transparente
e
molhada melodia distante mas
segura
irrompendo da terra quente
redonda
e madura mar imenso praia
deserta
horizontal e calma
das
cigarras que o sol ajudou a
subir
à coroa dos pinheiros hoje
o
que me trás o verão è o grito
negro das águas
ouço - o raspar trepar pelas
paredes
morrer a boca o poço
segredos
pela luz dos teus olhos
e
sò tu podes achar a luz dos
meus meus olhos
aberto
como os animais sò as tuas mãos
trazem
os frutos sò elas despem a màgoa
destes olhos choupos carregados de
sombras
e rasos de água sò elas são estrelas
penduradas nos meus dedos
dei
amor exacto vivo desenhado
o fogo
que eu próprio queimei amor
que
destrói e destruiu a fria arquitectura
desta tarde
que
trago no teu corpo ... o sonho
transforma
a noite da distância anunciada
num
farol de proximidade cujo alcance
dissipa cintilações vacilantes somos
agora um mar de tranquilidade sob
o lençol prateado das vagas a ilha
do teu corpo como um pedaço de
areia brilhante espessa onde pontificam
dois seios nacarados que se oferecem
como pérolas de colheita
ou o sol por nascer do tamanho
do mundo o sangue que nenhuma
espada viu o ar onde a respiração
è doce um pássaro no bosque com
a forma de um grito de alegria
a
dizer não è importante
eu
sei não vai salvar o mundo
mão mudará a vida de ninguém
mas quem è hoje capaz de salvar
o mundo ou apenas mudar o sentido
de vida de alguém
pouca
como uma chuvinha
que
chega devagar são três
quatro palavras pouco
mais
palavras que te quero
confiar
para que não se extinga
o seu lume breve palavras
que muito amei ou talvez
ame ainda elas são a casa
o sal da lìngua
obscura
o leitor è que tem
às
vezes em lugar do sol
nevoeiro
dentro de si e o nevoeiro
nunca o deixa
ver claro se regressa outra vez
a estas silabas acesas ficará cego
de tanta claridade
golfamos
profundamente o dia o
cansaço
descompensado em
compensação
repousados no olhar
beijamos
a estrela ardente do sol
no
olhar renovado em cada raiar
do dia damos abraços eternos
vinculamos
a alma a cidade nela os afectos
que o rio nos transborda solenemente
alimento partilha
dádiva
de luz e ambrósia
vai
brincando com o
vento
fala com as nuvens
cantando ébrio
logo
no dia da minha
primeira
secção poética
ai
que golfada Boca
de cena
quantos corpos
se
aguentarão molha - se
as gargantas se secarem
se à fome se sacia a poesia
transparece
em cena a boca os copos
se enchem
os corpos se desejam o
teatro se transborda as calçadas
se amontoam
pulso
talvez o vento súbito se
levante
talvez a palavra atinja o
seu gume
talvez um segredo chegue
ainda
a tempo que desperte o
lume
das
espadas purificou de talhas e horrores
tu ès o melhor de nòs e da vida presença
cuja luz è repartida do teu ser sempre
vibrante
e brilhante porque não deve abolir o
amor a génese dos afectos na cor
da aurora
que
o deserto sepulta
desfilhadas
num caos agonizante
decepadas
na fúria de presságios
predadores
com êxtase adoração
e temor
cujo
voo se espraia nodesejo
com
perfume odor felino de fêmea
apetecida
o teu ser perdido como sendo
esse
sol de energia fulgurante
ninguém
me peça definições ninguém
me
diga vem por aqui ides tendes
estradas
tendes jardins jardins tendes
canteiros
rendes pátria tentes tectos
e tendes regras
da
madrugada um sonho tingido
de
crédula esperança ele diz que
que està sem estar estando sem
estar
sò dividido num espaço marcado
pela
insónia em insónia no túnel estreito
da insónia
do amor
da poesia sem opção a paixão
è
isso de se apaixonar sem se
ver
e sentir sem olhar a paixão
è isso è criar maneiras de se
saber amar como se ama a
paixão
deixar - se seduzir sem se
deixar
entregar a paixão è um rio
um lago que escorre para algum
lugar
o
rio como se ainda movesse
as
suas águas do rio e não estamos
em Janeiro e o rio continua vivo
sem as nossas aventuras loucas
passadas
o tempo cura nê espero que já te
tenhas curado tudo passa como
as águas do rio hoje somos próprio
rio unindo os oceanos soltos e livres
sem posses nem pertenças voando
como um falcão voa pelo universo
livre voando sem amarras
pelo
sonho no instante da madrugada
um
sonho tingido de incrédula esperança
já
do seu oficio fatigada
e
o sono a mais incerta
barca
anda demora quando
os
teus olhos irrompem
os meus então procuramos
a navegação segura
do
meu coração era um
sorriso
com muita luz là dentro
que
entrei nele entrei nu dentro
do teu sorriso
o
egoísmo è uma noz
preconceitos
no olhar que è lançado
que
são lanças a vulgarizar
o
silêncio dos lugares
desvelado
entre o barro fresco e sorver
entre
os teus lábios fendidos o ardor
da
luz orvalhada deslizar pela
vertente
da tua garganta ser musica
onde
o silêncio flui e se encontra
voo
se espraia no desejo com
perfume
odor felino de fêmea apetecida
com
mãos invectiveis membros de
espuma
projecta
no espaço a suplicante
nudez
de braços ressequidos
a ave migratória que a
primavera trarà
poema
por seres luz sangue e dor um suave
vento
no meu rosto o selvagem cheiro de
amor
os corpos voaram imateriais como
o fogo
que não agarramos mas queima
queimada
da pupila mais azul no
oiro
anoitecido entre pétalas cerradas
e
navegáveis golfo do desejo onde
o
furor habita crispado de agulhas
onde
faça sangrar as tuas águas nuas
atenção lhe rouba quando ainda è o nada de repente explode em chamas e queima sugando - lhe ao centro do fogo cuja labareda queima o espíri...