sábado, 29 de maio de 2021

Terra

se um dia lhe tocares

            o

corpo adormecido

      põe - lhe

silêncio sê leve para

      quem

o foi contigo dà - lhe

           o

meu cabelo para o

       sonho

e deixa tecer a magia

 infinita das raìzes
 

não se pode

mudar de luz como

          quem

muda de camisa o 

          meu

pais è onde a pedra

          acesa

do mar ilumina as veredas

 do coração e a cal escorre dos

           muros

e dos troncos das oliveiras atè ao

            chão
 

as tuas mãos meu amor

são o lugar da casa em que

           me habita

uma casa que fosse o areal

           deserto

que nem casa fosse sò um

         lugar

onde o lume foi acesso e a

          sua

volta sentou - se a alegria

            e

aqueceu as mãos e partiu

          porque

tinha um destino coisa simples

e pouca mas destino crescer como

árvore resistir a invernia ao rigor 

da invernia e certa manhã sentir

         os passos de Abril

 

choro


choras e nem eu posso

           mais

do que lágrimas coisas 

            frias

    sobre as suas mãos

 abandonadas a janela dos

             dias

alta tristeza  de cabelos de

            água

è o meu rosto que se demora

               o

meu coração escreve na noite

            como

  quem chora

     

acode - me

um rumor de ave

        talvez

talvez seja à tarde

           a

querer voar a levantar

          do

chão qualquer coisa que

         vive

e è como um perdão que

         eu

nunca tive talvez o nada

          ou

sò um olhar que na tarde

           fechada

è ave mas não pode voar
 

estou aqui

sentado ali o mar as palmeiras

                o 

pão na mesa o gesto sempre

              igual

da luz o mesmo olhar da ave

             existe

uma certa harmonia entre a luz

           a luz e o mar

a mesa provavelmente entre a

             palmeira

e o mar o leite e o pão e com

           a  palavra 

o seu voo em prumo e com

            a palavra

qual è a relação ?
 

lugar submerso

no universo  onde olhares

          secretos

se cruzam  no silêncio

         distante

entre o Ocidente e o

      Oriente

mulher exótica  oriental

           sensual

em pleno Ocidente o

   calor que une os

Oceanos  unindo a Humanidade

           no amor

meu amor


 

inertes

no seu egoísmo de horrores

            no

seu ego fechados nos seus

          fantasmas

que a si próprios os assusta

            e

a temer sem tremar de de amor

            na 

frieza do ser uno universal 
 

brotou água

onde tudo era  mais escuro

            paz

onde morava a solidão

             e

a certeza de que a sepultura

uma cova onde não cabe o

       coração
 

fecundo - te vida

nos pinhais fecundo - te de 

            seiva

e de calor alargo - te o corpo

          pelas

areias onde o mar se espaira

          sem

contornos sem cor põe - te

        sonho  

onde havia apenas silêncios

 de novas rosas por abrir e

 um jeito de quem sabe que 

o futuro há - de surgir
 

se vieres

a minha procura eu

         estou

aqui  toma - me

      noite

sem sombra de

   amargura

consciente do que

         dou

nimbar - te de  mim

         e

do luar disperso de

          ti

 serei mais teu deixa - me

 derramado no olhar de quem

     já me esqueceu
 

tenho tristeza

como toda gente quero

         alegria

mas hoje sou um céu

         que

tem gaivotas leves o

       diabo

essa morte dia a dia
 

Saber agreste

rosto  da minha alma

          improviso

na madrugada húmidos

            beijos

e de lágrimas ardor da terra

           com

sabor a mar o teu corpo

   perdia - se no meu

vontade de ser  barco

           ou

de  cantar
 

no teu retrato

começa a madrugada abrindo

                a

luz de rosa em rosa transparente

              e

molhada melodia distante mas

           segura

irrompendo da terra quente

             redonda

e  madura  mar imenso praia

            deserta

    horizontal e calma
 

a luz trazida pelos rosados

pès dos pombos dos confins

          da alegria

quem pudera leva - la a

        boca

e dormir apaziguado
 

O que me trás o verão

não è o desabrido e ácido canto

                 das

cigarras que o sol ajudou a

              subir

à coroa dos pinheiros hoje

            o

que me trás o verão è o grito

        negro das águas

ouço - o  raspar trepar pelas

           paredes

morrer a boca o poço
 

Ò mão da minha alma

flores abertas aos meus

        segredos

pela luz dos teus olhos

          e

sò tu podes achar a luz dos

    meus meus olhos
 

Foi para ti

que deitei no chão um corpo

              aberto

como os animais sò as tuas mãos 

               trazem


 os frutos sò elas despem a màgoa

destes olhos choupos  carregados de

                 sombras

e rasos de água sò elas são estrelas

         penduradas nos meus dedos

  

o amor desta tarde que arrefece

as mãos e os olhos  que te

               dei

amor exacto vivo desenhado

            o fogo

que eu próprio queimei amor

               que

destrói e destruiu a fria arquitectura

          desta  tarde
 

Que dizer

do assombro fogo incandescente

              que

trago no teu corpo ... o sonho

           transforma

a noite da distância anunciada 

              num

farol de proximidade cujo alcance

dissipa cintilações vacilantes somos

agora um mar de tranquilidade sob

o lençol prateado das vagas a ilha

do teu corpo como um pedaço de 

areia brilhante espessa onde pontificam

dois seios nacarados que se oferecem

como pérolas de colheita
 

a caricia da terra

procuro a ternura súbita os olhos

ou o sol por nascer do tamanho

do mundo o sangue que nenhuma 

espada viu o ar onde a respiração

è doce  um pássaro no bosque com

a forma de um grito de alegria

 

escuta


 tenho ainda uma coisa

                a

dizer não è importante

             eu

sei não vai salvar o mundo

mão mudará a vida de ninguém

mas quem è hoje capaz de salvar

o mundo ou apenas mudar o sentido

       de vida de alguém

escuta

não te demoro è coisa

          pouca

como uma chuvinha

         que

chega devagar são três

quatro palavras pouco

          mais 

palavras que te quero

        confiar

para que não se extinga

o seu lume breve palavras

que muito amei ou talvez

ame ainda elas são a casa 

     o sal da lìngua
 

toda a poesia

è luminosa atè a mais

       obscura

o leitor è que tem

       às

vezes em lugar do sol

           nevoeiro

dentro de si e o nevoeiro

          nunca o deixa

ver claro se regressa outra vez

a estas silabas acesas ficará cego

de tanta claridade
 

Bom fim de semana a todos

Ócio descanso  merecido

          golfamos

profundamente o dia o

          cansaço

descompensado  em

   compensação

repousados no olhar

         beijamos

a estrela ardente do sol

        no

olhar renovado em cada raiar

do dia damos abraços eternos

           vinculamos

a alma a cidade nela os afectos

que o rio nos transborda solenemente


 

sexta-feira, 28 de maio de 2021

assim são

as palavras dos poetas

 alimento partilha

         dádiva

de luz e ambrósia

      vai

brincando com o

     vento

fala com as nuvens

   cantando ébrio
 

um ùnico

amor uma única

     ilusão

que através do tempo

      sem

tempo se desvela
 

há um único

amor um único nò

dois sentimentos

    

 feitos 

 de impulsos na mesma

           direcção

        

molha -me a mulha

aqui chove a cântaros 

          logo

no dia da minha

     primeira

secção poética

        ai

que golfada Boca

      de cena

quantos corpos

           se

aguentarão molha - se

   as gargantas se secarem

se à  fome se sacia a poesia

           transparece

em cena a boca os copos

           se enchem

os corpos se desejam o

teatro se transborda as calçadas

        se amontoam

 

musica

talvez a ternura crepite no

             pulso

talvez o vento súbito se

             levante

talvez a palavra atinja o

      seu gume

talvez um segredo chegue

        ainda

a tempo que desperte o

       lume
 

eu já tinha um nome

e eu não sei se era

          fonte

ou brisa ou mar ou

         flor

nos meus  versos

chamar - te - ei

      amor
 

soterraste pétalas

calcinadas que nem o claro brilho

                    das

espadas purificou de talhas e horrores

tu ès o melhor de nòs e da vida presença

cuja luz è repartida do teu ser sempre

                 vibrante

e brilhante porque não deve abolir o

amor a génese dos afectos na cor

             da aurora
 

trouxeste - me

as flores mais belas

          que

o deserto sepulta

      desfilhadas

num caos agonizante

        decepadas

na fúria de presságios

          predadores

com êxtase adoração

      e temor
 

em ti

fogo cintilante  ave branca

              cujo

voo se espraia nodesejo

           com

perfume odor felino de fêmea

         apetecida

o teu ser perdido como sendo

          esse

sol de energia  fulgurante
 

que ninguém

me dê piedosas intenções

           ninguém

me peça definições ninguém

             me

diga vem por aqui ides tendes

          estradas

tendes jardins jardins tendes

          canteiros

rendes pátria tentes tectos

           e tendes regras
 

o poeta è alguém

tocado pelo sonho no instante

                da

madrugada um sonho tingido

              de

crédula esperança ele diz que

que està sem estar estando sem

           estar

sò dividido num espaço marcado

              pela

insónia  em insónia no  túnel estreito

         da insónia


 

assim eu queria

o poema fremente de luz

            áspero

de terra rumores de águas

               e

de vento
 

Da paixão

a paixão a poesia a paixão

             do amor

da poesia sem opção a paixão

             è

isso de se apaixonar sem se

           ver

e sentir sem olhar a paixão

è isso è criar maneiras de se

saber amar como se ama a

             paixão

deixar - se seduzir sem se

         deixar

entregar a paixão è um rio

um lago que escorre para algum

          lugar

 

como se as àguas

passadas ainda movessem

         o

rio como se ainda movesse

          as 

suas águas do rio e não estamos

  em Janeiro e o rio continua vivo

 sem as nossas aventuras loucas

             passadas

o tempo cura nê espero que já te 

tenhas curado tudo passa como

as águas do rio hoje somos próprio

rio unindo os oceanos soltos e livres

sem posses nem pertenças voando

como um falcão voa pelo universo

      livre voando sem amarras
 

estou sem estar

sò o poeta è alguém tocado

            pelo

sonho no instante da madrugada

              um

sonho tingido de incrédula esperança
 

Quem

me livra de mim de quem

            sou

por continuar a ser o que

o que ainda não ès ainda

             que

fujo de mim em ti
 

silêncio

quando a ternura parece

               já

do seu oficio fatigada

              e

o sono a mais incerta

          barca

anda demora quando

           os

teus olhos irrompem

os meus então procuramos

    a navegação segura
 

foi o teu sorriso

quem abriu a  porta

          do

meu coração era um

       sorriso

com muita luz là dentro

           que

entrei nele entrei nu  dentro

           do teu sorriso


 

as almas correm

a indiferença è feroz

            o

egoísmo è uma noz

     preconceitos

no olhar que è lançado

          que

são lanças a vulgarizar

           o

silêncio dos  lugares
 

correr navegar amar - te

assim  intensamente loucamente

             desvelado

entre o barro fresco e sorver

              entre

os teus lábios fendidos o ardor

               da

luz orvalhada deslizar pela

           vertente

da tua garganta ser musica

            onde

o silêncio flui e se  encontra
 

Fogo

cintilante  ave branca cujo

            voo

se espraia no desejo com

            perfume

odor felino de fêmea apetecida

               com

mãos invectiveis membros de

           espuma 

 

Tu ès

a árvore escarnecida que

          projecta

no espaço a suplicante

           nudez

de braços ressequidos

a ave migratória que a

 primavera trarà
 

dir - se - ia

que o amor se è que passou fere

                ainda

mais do que quando realmente

               encandecia
 

Pomba e Leoa

ou pomba quero que  permaneças

                    poema

por seres luz sangue e dor um suave

                    vento

no meu rosto o selvagem cheiro de

                      amor

os corpos voaram imateriais como

                 o fogo

que não agarramos mas queima
 

Penetras na douçura

da areia ou lume na lua

           queimada

da pupila mais azul no

                oiro

anoitecido entre pétalas cerradas

               e

navegáveis golfo do desejo onde

               o

furor habita crispado de agulhas

           onde

faça sangrar as tuas águas nuas
 

O amor

atenção lhe rouba quando ainda è o nada de repente explode em chamas e queima sugando - lhe ao centro do fogo cuja labareda  queima o espíri...