segunda-feira, 16 de maio de 2022

Tenho fome da tua boca

tenho fome da tua boca da tua voz do teu cabelo

e ando pelas ruas sem comer calado não me

assusta o pão a aurora me desconcerta busco

no dia o som líquido dos teus pès estou faminto

do teu riso saltitante das tuas mãos cor de furioso


celeiro tenho fome da pálida pedra das tuas unhas

quero comer a tua pele como uma intacta amêndoa


quero comer o raio queimado na tua formosura

o nariz soberano do rosto altivo


quero comer a sombra fugaz das tuas pestanas

e faminto venho e vou farejando o crepúsculo


à tua procura
 

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