em cada manhã o nome dela na erva
numa folha numa pedra nos bagos
de uma romã acendo - te uma fogueira
nas tuas mãos acordadas dou - te flores
de laranjeiras dou - te ruas dou - te estradas
dou - te palavras secretas dou - te coragem
e setas dou - te meus dedos crispados ponho
cravos amarelos a volta dos teus cabelos
dou - te o meu sangue vermelho e o meu canto
proibido dou - te o meu nome raiz há muito tempo arrancada
dou - te esta calma guardada nos homens do meu país
dou - te a fome do meu canto dou - te os meus pulsos abertos
mas è por outro que vivo
Joaquim Pessoa in Poemas da Resistência
1968 / 1971

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